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    COLUNISTAS

    Carlos Eduardo Berbigier de Rosso - carloseduardoderosso@gmail.com

    Como o esporte é apresentado e trabalhado no ambiente escolar?

    1 semana atrás

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Vivemos num mundo em que o esporte está deixando de ser prática comum nas ruas, com as famosas “peladas”, em que as goleiras são feitas com um par de chinelos, para ser praticado em ambientes cobertos, organizados e instruídos. Dessa forma, o esporte começou a estar disponível para poucos e não à maioria, como é pregado há anos pela bibliografia que trata o futebol, por exemplo, como o esporte das multidões.

O desenvolvimento esportivo em nosso país depende da vontade e da garra de poucos, para descobrir um diamante bruto, esculpir, lapidar, polir, para, aí sim, estar entre as grandes joias mundiais. Não somos mais o “país do futebol”, temos que batalhar bastante para nos mantermos na ponta do vôlei mundial, não temos um tenista no top 10 da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) há mais de 15 anos, temos um atleta de natação em evidência num intervalo de 10 em 10 anos, o basquete nacional não figura no pódio há vários anos, enfim, onde está o problema disso tudo? É muito pouco para um país com mais de 200 milhões de pessoas que são apaixonadas pelo esporte.

Podemos criar diversas hipóteses para isso, seja pela falta de qualidade na gestão esportiva, pela corrupção nas federações e confederações que gerem o esporte, na falta de incentivo do governo ou até na marginalização que ocorre nas cidades brasileiras em que está cada vez mais perigoso brincar de maneira saudável nas ruas e praças dos arredores de casa. É fato que todas essas situações contribuem, mas eu prefiro argumentar que uma grande falha disso tudo está dentro da escola.

Venho de uma formação escolar que, por vivência própria, tive alguns bons professores de Educação Física e também vivenciei o desleixo em que a matéria é tratada nas escolas. Uma matéria tão importante quanto qualquer uma, tratada como atividade recreativa e de lazer ou simplesmente “dá a bola pra eles”. Num mês em que se comemora o Dia Internacional da Educação Física (1° de setembro), não custa nada lembrar o quanto é importante a Educação Física como conceito, como princípio de coletividade, de trabalho em grupo, respeito a colegas e professores, como entender e seguir as regras e saber competir de forma saudável, como aprender a encarar as dificuldades e buscar alternativas para ultrapassar os obstáculos em que o esporte nos apresenta.

Apresentar o esporte para as crianças de forma igualitária, em que há espaço para todos e para todas, sem discriminação do “bom” ou do “ruim”, proporcionar vivências motoras para todos os alunos, incentivá-los à pratica rotineira de atividades físicas, proporcionar brincadeiras em que o aluno, sem perceber, estará correndo, se equilibrando, subindo em coisas, se agachando e saltando, além de mostrar aos alunos os cuidados que devemos ter com o nosso corpo, sempre respeitando a faixa etária com todas as recomendações que temos em nossas bibliografias do desenvolvimento das criança e do adolescente… essas tantas tarefas fazem parte do nosso bom profissional de Educação Física.

Sociedades bem desenvolvidas tratam o Esporte Escolar, praticado pelo currículo escolar ou pelas oficinas esportivas dentro da escola, de forma séria e profissional. Educando seus alunos a partir do que, normalmente, eles valorizam mais, e dá resultados positivos há décadas. Dessa forma, temos alunos mais dedicados, mais comprometidos e concentrados nas tarefas diárias da sua grade curricular, sempre disposto a realizar as tarefas, com muito cuidado com seu desempenho para manter-se nas atividades esportivas. É um meio eficaz manter o aluno focado.

Um momento para refletir que nossos professores, de todas áreas, sofrem por uma desvalorização em sua classe sem precedentes, ou melhor, é única e histórica. Infelizmente não temos uma projeção de valorização para essa profissão que tem uma batalha diária dentro das escolas e deveria ser tratada como a base da sociedade. Nunca foi justificativa para ninguém ser um bom ou mal profissional por causa do que está ganhando ou não, mas o desrespeito é gigantesco para esse público.

Enfim, nosso país, de norte a sul, leste a oeste, possui uma paixão pelo esporte de forma significativa, em todos os cantos há pessoas prontas para conversar e debater sobre o assunto. A partir do momento em que olharmos para a Educação Física Escolar com profissionalismo e respeito, tenho certeza que o perfil do aluno, o ambiente escolar e o comprometimento do público envolvido será significativamente melhor. O cidadão que irá sair da escola para o mundo, terá uma formação mais completa, não somente física, mais cognitiva e intelectual também.